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O ÚLTIMO OLHAR



A porta da sala se abriu...

Sorriu quando entrou... E entrou a falar de um jeito docemente, que a princípio me causou estranheza.

Com lábios rubros e um sorriso alargado, e abraçou-me, e marcou o colarinho da minha camisa de seda, cor verde-glacial, a qual ela mais gostava de me ver vestido. Ela mesma havia me presenteado no meu aniversário passado...

De repente, aquele sorriso bonito murchou-se em seus lábios como uma flor ao receber o calor de um sol escaldante, e aquela alegria em face foi-se esvaindo... E algumas lágrimas despontaram de seus olhos rosto a fora, como pequenas gotas de diamante, diluídas...

Em poucos instantes ela não parecia mais me olhar, e então eu percebi que ela já não estava mais ali comigo... Um arrepio me tomou o corpo por completo e a minha alma sofrida se tornava mais vazia...

Ela apartou-se de mim e correu em direção a porta sem dizer uma só palavra. Abriu a porta, me olhou e rompeu com uma das mãos algumas lágrimas de seu rosto...

Antes de fechar a porta, me olhou uma última vez, e com a voz quase sumida ela me disse: adeus.

A porta da sala fechou. Ela se foi. Para sempre.



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