Entrou na sala, olhou tudo ao redor de si mesmo com uma admiração tamanha, como se tudo lhes fossem alheio aos olhos. Contemplou um porta-retratos que estava a sua frente, na estante, envolto a uma porção e lembrancinhas de porcelana. Aproximou de vagar... E apanhou o porta-retratos com uma das mãos, e o levou ao encontro do peito... Com os olhos baços em lágrimas ele buscou a janela que ficava à esquerda de onde se postava. Deu de ombros, fitou os olhos a janela aberta e se esqueceu lá fora, fugindo um breve momento da realidade... se entregando por completo ao passeia dos olhos encontrados no horizonte... Posto ali de pé, ainda com os olhos atirados ao longe, como se avistasse algo no caminho à distância; como se o infinito lhe fosse tão próximo... De repente, após uma lágrima ter encontrado seus lábios; após sentir o gosto de salmoura em sua boca, ele novamente voltou o porta-retratos aos olhos, fitou durante a alguns bons segundos e o pôs de volta ao seu ...
A porta da sala se abriu... Sorriu quando entrou... E entrou a falar de um jeito docemente, que a princípio me causou estranheza. Com lábios rubros e um sorriso alargado, e abraçou-me, e marcou o colarinho da minha camisa de seda, cor verde-glacial, a qual ela mais gostava de me ver vestido. Ela mesma havia me presenteado no meu aniversário passado... De repente, aquele sorriso bonito murchou-se em seus lábios como uma flor ao receber o calor de um sol escaldante, e aquela alegria em face foi-se esvaindo... E algumas lágrimas despontaram de seus olhos rosto a fora, como pequenas gotas de diamante, diluídas... Em poucos instantes ela não parecia mais me olhar, e então eu percebi que ela já não estava mais ali comigo... Um arrepio me tomou o corpo por completo e a minha alma sofrida se tornava mais vazia... Ela apartou-se de mim e correu em direção a porta sem dizer uma só palavra. Abriu a porta, me olhou e rompeu com uma das mãos algumas lágrimas de seu rosto....