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O PORTA-RETRATOS



Entrou na sala, olhou tudo ao redor de si mesmo com uma admiração tamanha, como se tudo lhes fossem alheio aos olhos.

Contemplou um porta-retratos que estava a sua frente, na estante, envolto a uma porção e lembrancinhas de porcelana.

Aproximou de vagar... E apanhou o porta-retratos com uma das mãos, e o levou ao encontro do peito... Com os olhos baços em lágrimas ele buscou a janela que ficava à esquerda de onde se postava.

Deu de ombros, fitou os olhos a janela aberta e se esqueceu lá fora, fugindo um breve momento da realidade... se entregando por completo ao passeia dos olhos encontrados no horizonte...

Posto ali de pé, ainda com os olhos atirados ao longe, como se avistasse algo no caminho à distância; como se o infinito lhe fosse tão próximo...

De repente, após uma lágrima ter encontrado seus lábios; após sentir o gosto de salmoura em sua boca, ele novamente voltou o porta-retratos aos olhos, fitou durante a alguns bons segundos e o pôs de volta ao seu lugar de origem, retomando a seu lugar de peça mais importante daquela sala...



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